Jean Genet | A Criança Criminosa
01 Outubro 2011
"Quando um dia, ao olhar para o viajante sentado à minha frente numa carruagem de comboio, tive a revelação de que qualquer homem vale outro, eu não desconfiava - ou antes sim, tinha-o sabido de obscura forma porque um manto de tristeza caiu de repente sobre mim e, mais ou menos suportável mas sensível, não voltou a largar-me - de que um tal conhecimento implicasse uma tão metódica desintegração. (...)
Sem parar de meditar durante a viagem, e com uma espécie de nojo de mim próprio, muito depressa me convenci de que esta identidade é que permitia a qualquer homem ser amado, nem mais nem menos, do que qualquer outro, e permitia que o amassem, quer dizer, adoptassem o reconhecessem - queressem - até à mais imunda das aparências."
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Sábado, Outubro 22, 2011 10:39:00 PM
Paciência - disse ele. - Que há de comum entre mim e essa tal rapariguinha das bofetadas? Há alguém à minha espera.
Vou até lá.
E fez-se de novo ao caminho.
-Quem é? - perguntou Henrique Maximiliano, estupefacto.- O Prior de Leão, esse desdentado?
Zenão virou-se.
-Hic Zeno - disse - Eu mesmo.
Marguerite Yourcenar