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Existência de Papel
"Peço a um livro que crie em mim a necessidade daquilo que me traz".

Do you have love for humankind?
9.14.2013 # 2 origamis


Phosphorescent
8.22.2013 # 0 origamis


Of Monsters And Men
5.08.2013 # 0 origamis


Santigold
3.28.2013 # 2 origamis


Arrebata/dor.


"O fim de um livro é precioso"
11.04.2011 # 6 origamis


Whitetree
10.26.2011 # 0 origamis



Whitetree - Cloudland
Ponderosa, 2009



Faixa: Kyril

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Julian Barnes | Nada a Temer
10.24.2011 # 2 origamis
"Deus é um amigo imaginário. Quando morremos, morremos. Se queremos sentir reverência, contemplemos a Via Láctea com um telescópio. Neste momento, seguramos um caleidoscópio de criança contra a luz e fingimos que os losangos coloridos foram lá postos por Deus."

"Quando eu era novo, tinha pavor de voar. O livro que escolhia para ler no avião era o que achava apropriado para ser encontrado sobre o meu cadáver. Lembro-me de levar Bouvard e Pécuchet para um voo entre Paris e Londres, tentando convencer-me que, após o terrível acidente: a) ainda haveria um corpo identificável sobre o qual o encontrariam; b) o Flaubert em livro de bolso francês sobreviveria ao impacto e às chamas; c) a minha mão milagrosamente intacta (embora talvez cortada) ainda o seguraria, com o indicador hirto a marcar uma passagem particularmente apreciada, que a posteridade lembraria. Uma história plausível... E eu, naturalmente, fiquei demasiado assustado com o voo para me concentrar num romance cujas verdades irónicas, aliás, tendem a escapar aos jovens leitores."

"Eu acreditava, quando era «só» leitor, que os escritores, porque escreviam livros onde se encontrava a verdade, porque descreviam o mundo, porque perscrutavam o coração humano, porque captavam tanto o particular como o geral e eram capazes de os recriar a ambos de forma livre mas estruturada, porque compreendiam, deviam ser por isso mais sensíveis - e menos vaidosos, menos egoístas - do que as outras pessoas. Depois tornei-me escritor, comecei a encontrar outros escritores, observei-os e concluí que a única diferença entre eles e as outras pessoas, a única coisa em que eram melhores, é que eram melhores escritores. Podiam ser de facto sensíveis, perspicazes, sábios, saber generalizar e particularizar - mas só sentados à secretária e nos seus livros. Quando se aventuram no mundo, geralmente comportam-se como se tivessem deixado toda a compreensão do comportamento humano nos seus originais dactilografados."

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Sebastien Tellier
10.21.2011 # 0 origamis


Sebastien Tellier - Universe
Lucky Number Music, 2009



Faixa: La Ritournelle

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Nathaniel Hawthorne | A Letra Encarnada
10.19.2011 # 2 origamis

"Era absurdo, com a materialidade desta vida quotidiana a apertar-me tão intrusamente, tentar figurar-me a vida de outra época, ou insistir em criar à semelhança de um mundo com matéria aérea, quando, a cada passo, a beleza impalpável da minha bola de sabão se desfazia ao contacto rude de qualquer circunstância real. O esforço mais hábil fora talvez o de difundir pensamento e imaginação através da substância opaca do dia de hoje, e assim torná-la uma transparência luminosa; espiritualizar o fardo que começava a pesar tanto; procurar, resolutamente, o valor verdadeiro e indestrutível que jazia sob os incidentes pequeninos e mesquinhos, as personagens vulgares, de que eu agora tinha experiência. A culpa era minha. A página de vida, que se abria diante de mim, parecia vulgar e entediante apenas porque eu não tinha aprofundado o seu sentido íntimo. Estava ali um livro melhor que qualquer que eu venha a escrever; folha a folha apresentando-se-me à medida que a escrevia a realidade da hora que passa, e desaparecendo mal ficava escrita, porque meu cérebro não tinha visão, nem meu punho a arte, para transcrevê-la."

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Nikolai Gógol | Contos de S. Petersburgo
10.18.2011 # 0 origamis

"Ontem, de repente fui como que iluminado por um clarão: lembrei-me da conversa dos dois cães que eu surpreendera no Nevski Prospekt. - "Muito bem - disse eu comigo - agora vou saber tudo. É preciso apoderar-me da correspondência trocada entre esses dois cachorros ordinários. Por ela provavelmente ficarei sabendo alguma coisa." Confesso que já cheguei a chamar Medji e falar-lhe assim: - Olha, Medji, nós agora estamos aqui a sós; se quiseres, vou até fechar a porta para que ninguém nos possa ver. Conta-me tudo o que sabes a respeito de tua senhora, diz-me como ela é. Juro-te que não o revelarei a ninguém.
Mas a esperta cachorrinha encolheu o rabo, contraiu-se toda e saiu do quarto caladinha, como se nada tivesse ouvido. Suspeito há muito tempo que o cachorro é mais inteligente do que o homem. Estou até convencido de que sabe falar, apenas tem uma espécie de teimosia. É um político extraordinário: observa tudo, todos os passos do homem. Não, custe o que custar, hei de ir amanhã à casa de Zverkof, interrogarei Fidel, e, se for possível, interceptarei todas as cartas que Medji lhe escreveu."

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Scott Matthews
10.17.2011 # 0 origamis


Scott Matthews - Elsewhere
Island UK, 2009



Faixa: Underlying Lies

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Virginia Woolf | Mrs. Dalloway
10.14.2011 # 0 origamis

"O amor e a religião destroem a privacidade da alma."

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The National
10.04.2011 # 2 origamis


The National - High Violet
4ad Records, 2010



Faixa: Vanderlyle Crybaby Geeks

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Julien Gracq | As Águas Estreitas
10.03.2011 # 2 origamis

"Porque será que tão cedo se enraizou em mim o sentimento de que, se só a viagem - viagem sem ideia de regresso - nos abre as portas e pode alterar realmente a nossa vida, existe um sortilégio mais oculto, semelhante ao manejo de uma varinha mágica, ligado ao nosso passeio preferido, à excursão sem aventura ou imprevisto que em poucas horas nos conduz ao nosso ponto de apoio, à cerca da casa familiar?"

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Pina (Original Sountrack)
10.02.2011 # 0 origamis


V. A. - Pina (Original Sountrack)
380 Grad, 2011



Faixa: Lillies of the valley (Jun Miyake)

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Jean Genet | A Criança Criminosa
10.01.2011 # 2 origamis
"Quando um dia, ao olhar para o viajante sentado à minha frente numa carruagem de comboio, tive a revelação de que qualquer homem vale outro, eu não desconfiava - ou antes sim, tinha-o sabido de obscura forma porque um manto de tristeza caiu de repente sobre mim e, mais ou menos suportável mas sensível, não voltou a largar-me - de que um tal conhecimento implicasse uma tão metódica desintegração. (...)
Sem parar de meditar durante a viagem, e com uma espécie de nojo de mim próprio, muito depressa me convenci de que esta identidade é que permitia a qualquer homem ser amado, nem mais nem menos, do que qualquer outro, e permitia que o amassem, quer dizer, adoptassem o reconhecessem - queressem - até à mais imunda das aparências."

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Antonin Artaud | Os Sentimentos Atrasam
9.30.2011 # 0 origamis

"Quando a minha mão arde,
há o facto nu da mão a arder,
não a ideia desse acontecer,
ter o sentimento de me arder a mão é
entrar num domínio diferente,

a ideia da mão a arder retira-me da minha mão, põe-me em estado de imprevisão, obra do espírito espião que quer que lhe ceda, não só a minha mão e a sua dor, mas todo um mundo de concepções. 

Sem sentimentos e sem ideias, depressa a minha mão apagaria a fogueira que um mundo de invejosos crápulas e cobardes, mundo de intelectuais ronceiros, ateou para também se dar uma razão de ser, um ser que intoxicou a vida com doses letais de sentimento e espírito."

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Roberto Arlt | Os sete loucos
9.29.2011 # 0 origamis

"Sei que existo assim, como negação. E quando me digo todas estas coisas não me sinto triste. A minha alma fica em silêncio e a cabeça no vazio. Então, após esse silêncio e esse vazio, sobe-me ao coração a curiosidade do assassinato, uma curiosidade que deve ser a minha última tristeza, a tristeza da curiosidade. Ou o demónio da curiosidade. Ver como sou através de um crime. Isso, isso mesmo. Ver como se comportam a minha consciência e a minha sensibilidade na acção de um crime.
Todavia, estas palavras não me dão a sensação do crime da mesma forma que o telegrama de uma catástrofe na China não me dá a sensação de catástrofe. É como se eu não fosse aquele que pensa no assassinato mas outro. Outro que seria como eu, um homem plano, uma sombra de homem, como no cinematógrafo. Tem relevo, move-se, parece que existe, que sofre e, no entanto, não é mais do que uma sombra. Falta-lhe vida. Que diga Deus se isto não está bem analisado."

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Antonio Tabucchi | Requiem
9.26.2011 # 0 origamis

"Hoje é um dia muito estranho para mim, estou a sonhar mas parece-me ser realidade e tenho de encontrar umas pessoas que só existem na minha lembrança. Hoje é o último domingo de Julho, disse o Cauteleiro Coxo, a cidade está deserta, devem estar quarenta graus à sombra, suponho que seja o dia mais indicado para encontrar pessoas que só existem na lembrança, a sua alma, perdão, o seu Inconsciente, vai ter muito que fazer num dia como este, desejo-lhe bom dia e boa sorte."

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Bastante breve
9.14.2011 # 2 origamis
Fonte: I can read.

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O Empregado
9.13.2011 # 0 origamis

(por Santiago Grasso)

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Céline | O Cão de Deus
9.12.2011 # 2 origamis

"Existem (na minha biblioteca) livros de toda a espécie; no entanto, se fôsseis abri-los ficaríeis muito espantados. Estão todos incompletos; dentro da capa, alguns já só têm duas ou três folhas. Sou da opinião que devemos fazer com comodidade o que todos os dias fazemos; e por isso leio com tesouras, desculpem lá, e corto tudo o que me desagrada. Fico assim com leituras que nunca me ofendem."

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Beirut
9.11.2011 # 0 origamis


Beirut - The Rip Tide
Pompeii Records, 2011



Faixa: The Rip Tide

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Bastante breve
9.10.2011 # 0 origamis


Michael Nyman
9.09.2011 # 0 origamis

Michael Nyman - The Piano (OST)
Virgin Records Us, 1993


Faixa: All Imperfect Things

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Henri Michaux | No País da Magia
9.08.2011 # 4 origamis
"Vi água que não se deixa correr. Se for água bem habituada, se for nossa água, não se espalha mesmo que a garrafa quebre em quatro pedaços.
Espera simplesmente que lhe ponham outra. Não tenta espalhar-se por fora. "

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The Tree of Life
9.07.2011 # 0 origamis
Realização: Terrence Malick
Nacionalidade: EUA, 2010
"Visualmente irrepreensível, o olhar de Malick (e a fotografia de Emmanuel Lubezki) é um olhar emocional e profundo sobre a dicotomia (humana) do amor/perdão e raiva/conflito. Um filme que se queria humanista mais do que o religioso que acaba por ser, com a força do particular, do individual, a ser abafada por um simbolismo excessivo. Ainda assim persiste. No confronto com a nossa própria efemeridade e insignificância a que nos “obriga”. (Texto extraído de Cinerama.)

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Henry David Thoreau | Caminhar
9.06.2011 # 2 origamis
"Creio que não posso preservar a boa saúde e o vigor sem passar quatro horas por dia, pelo menos - de uma forma geral ainda mais tempo - a vaguear através de bosques e por cima de montes e vales totalmente liberto de preocupações terrenas. (...) Às vezes, quando me ocorre que artesãos e caixeiros se mantêm nas suas lojas, não só toda a manhã mas toda a tarde, muitos deles sentados com as pernas cruzadas - como se as pernas tivessem sido feitas para nos sentarmos em cima delas, e não estarmos de pé ou andar - , parece-me que algum respeito merecem por já não se terem há muito tempo suicidado."

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Sergio Pitol | A Vida Conjugal
9.05.2011 # 4 origamis
"Durante anos, acompanhou-a um caderno azul nas diferentes mudanças às quais a conduziu o acaso da sua vida matrimonial, sem que tivesse consciência da sua existência (...). Certamente que se espantaria se lesse os trechos literários copiados muitos anos antes naquele caderno esquecido. Sentiria saudades, sem dúvida com melancolia, dos esforços intelectuais que alimentaram a parte mais nobre, a mais pura do seu ser, a única que durante certo tempo lhe ofereceu alguma segurança, destruída por completo pela violência que com tão desmedido estrépito sacudiu a sua vida. Porque a partir de dado momento não lhe foi possível ter nenhuma ilusão a esse respeito: a sua vida espiritual ficara em fanicos."

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Georges Perec | Um Homem que Dorme
9.04.2011 # 0 origamis
"Com o passar das horas, dos dias, das semanas, das estações, desprendes-te de tudo, afastas-te de tudo. Descobres, por vezes, quase com uma espécie de embriaguez, que és livre, que nada te importa, te agrada ou desagrada. Nessa vida sem usura e sem outro frémito a não ser os instantes suspensos que te proporcionam as cartas e certos ruídos, certos espectáculos a que assistes, encontras uma felicidade quase perfeita, fascinante, por vezes repleta de emoções novas. Vives um repouso total, és, a cada instante, poupado, protegido. Vives num bem-aventurado parêntese, num vazio cheio de promessas e de que não esperas nada. És invisível, límpido, transparente. Já não existes: há a sequência das horas, a sequência dos dias, a passagem das estações, o passar do tempo, e tu sobrevives, sem alegria e sem tristeza, sem futuro e sem passado, assim, simplesmente, evidentemente, como uma gota de água que escorre da torneira de um patamar, como seis peúgas mergulhadas numa bacia de plástico cor-de-rosa, como uma mosca ou como uma ostra, como uma vaca, como um caracol, como uma criança ou como um velho, como um rato."

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Mischka
9.03.2011 # 0 origamis
Realização: Jean-François Stévenin.
Nacionalidade: França, 2002.
“Alguns filmes deixam-nos sós, este devolve-nos aos outros, a um lugar de partilha do mundo. Deixemo-nos adoptar: "Mischka" é o mais caloroso dos filmes em exibição. Stévenin confirma-se (revela-se?) um cineasta singular e de rara sensibilidade nesta falsa comédia de férias onde se projectam pequenas glórias humanas (onde um velho abandonado pela família, Mischka, serve de pólo de gravitação de outras "famílias"). Obra inclassificável." (Texto extraído de Ípsilon.)

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Jay-Jay Johanson
9.02.2011 # 0 origamis

Jay-Jay Johanson - Whiskey
Commando/BMG Sweden, 1996


Faixa: So Tell The Girls That I Am Back In Town

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Continuação!
9.01.2011 # 0 origamis


Jorge Fallorca | Entre Chipiona e Tarifa
8.31.2011 # 0 origamis
"Mas foi preciso apanharmos apenas as laranjas necessárias para o pequeno-almoço tomado em casa, e não à pressa, sempre à pressa, ao balcão de um café barulhento, enfumarado, obrigados a ouvir as conversas dos outros clientes e a ler a agressão dos títulos dos jornais; de nos sentarmos à porta de casa a conversar, ou pura e simplesmente em comunicativo silêncio sobre o céu estrelado, que se substituiu ao gesto automático de ligar a televisão, que a maior parte das vezes nem sequer vemos; de escutarmos o vento nas alfarrobeiras, e o concerto dos grilos, rouxinóis, e outros elementos da inspirada fauna das noites de Verão, que transformavam o ruído das motoretas rurais numa novidade cómica (...). Aprendemos a recusar as solicitações do supérfluo, do inútil, a comprar apenas o estritamente necessário. A trocar a dispendiosa exibição social das esplanadas e restaurantes, pela tranquilidade grátis dos jardins e o prazer da reinvenção da cozinha feita em casa, ouvindo as sugestões locais, as receitas fornecidas por simpáticas donas de casa divertidas com o nosso embaraço nos supermercados, saudavelmente orgulhosas por divulgarem os segredos da sua região."

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Aaltra
8.30.2011 # 0 origamis
Realização: Benoît Delépine, Gustave de Kervern.
Nacionalidade: Bélgica, 2003.
Aaltra é um road-movie em cadeira de rodas. Mas esta é uma questão de somenos importância. Que essa não seja a razão para se ver este filme. Mas sim porque se trata de facto de uma obra divertida, original e irreverente. (...) Os co-argumentistas, realizadores e protagonistas Benoît Delépine e Gustave de Kervern são a essência desta comédia física e deliciosamente mordaz. O seu sentido de humor é negro, acutilante e inteligente, usado com mestria e comedimento ao longo de todo o filme." (Texto extraído de Cinerama.)

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Goran Bregovic
8.29.2011 # 2 origamis

Goran Bregovic - Ederlezi
Wrasse Records, 1998

Faixa: Lullabye

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Enrique Vila-Matas | A Assassina Ilustrada
8.28.2011 # 4 origamis
"Desviei o meu olhar para a luz sem horizonte da paisagem chuvosa que se podia ver atrás das janelas. Aquela luz que entrava era tão ténue que apenas conseguia fazer brilhar o tampo da mesa em que, imediatamente, Elena Villena depôs o caderno em cuja capa fora escrito, com grandes caracteres, A assassina ilustrada.
- Vinha devolver-lho - disse em voz baixa, deixando-me num estado de grande perplexidade.
Quando fiquei só, acendi as luzes da sala e dispus-me a dar uma vista de olhos ao caderno que tinha nas mãos. Vejo-me a abri-lo na primeira página sem imaginar até que ponto me iria inquietar a sua leitura."

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Thomas Mann | Viagem Marítima com Dom Quixote
8.27.2011 # 0 origamis
"Tudo o que Dom Quixote diz é bom e razoável, mas tudo o que ele faz com base nisso é disparatado, temeroso e patético; e quase que temos a impressão de que o poeta quer apresentar esta como uma antinomia natural e inevitável da vida moral superior."

"A ambição não deve estar no princípio, não antes da obra; tem de crescer com a própria obra, que, ela própria, quer ser maior do que o artista divertido e espantado pensava, estar associado àquela, e não ao Eu do artista. Não há nada mais errado que a ambição abstracta e anterior à coisa em si, a ambição enquanto tal e independente da obra, a pálida combinação do Eu. A que assim seja fica aí sentada como uma águia doente."

"A liberdade apenas adquire valor se for conquistada à falta da mesma, quando constitui uma libertação."

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James Joyce | Gente de Dublin
8.26.2011 # 2 origamis
"Desta vez estava desenganado; era o terceiro ataque. Todas as noites, ao passar por casa dele (era em tempo de férias) eu me punha a observar o rectângulo luminoso da janela e todos os dias reparava em como aquela luz era mortiça e sempre igual. Se ele tivesse já morrido – pensava eu – havia de se ver na cortina obscurecida o reflexo das velas. Por essa altura, já eu sabia que era costume colocar duas velas à cabeceira dos mortos. Muitas vezes ele me dissera: “Já não duro muito”, mas supunha que dizia aquilo por dizer. Agora sei que tinha razão. Todas as noites, quando olhava para a janela, murmurava mansamente para comigo próprio a palavra paralisia, que soava então aos meus ouvidos como um termo singular, tal como me acontecia, na geometria euclidiana, com a palavra gnomon e no catecismo com a palavra simonia. Mas agora, soava dentro de mim como se fosse o nome de um ser maligno e tresandando a pecado. Enchia-me de terror e, contudo, ansiava por me aproximar dela e por contemplar o seu mortal poder de destruição."

"A minha intenção era escrever um capítulo da história moral do meu país e escolhi Dublin como cenário porque a cidade se me afigura como o centro da paralisia. Tentei apresentá-la ao público indiferente sob quatro dos seus aspectos: a infância, a adolescência, a maturidade e a vida pública. Cheguei à conclusão de que não consigo escrever sem ofender as pessoas."

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Sr. Teste
8.25.2011 # 0 origamis

Preciosidades, aqui.

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Lisa Gerrard
8.24.2011 # 0 origamis

Lisa Gerrard - The Best Of Lisa Gerrard
4AD, 2007

Faixa: Now we are free

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Henry Miller | Os Livros da Minha Vida
8.23.2011 # 3 origamis
"Que faz um livro viver? Quantas vezes se põe esta questão! A resposta, segundo creio, é simples. Um livro vive devido à recomendação apaixonada que um leitor faz a outro. Nada consegue reprimir este impulso básico do ser humano. Apesar das opiniões de cínicos e misantropos, julgo que a espécie humana tentará sempre partilhar as suas experiências mais profundas."

"Um livro não é apenas um amigo, cria novas amizades. Quando possuímos um livro com a mente e o espírito, ficamos enriquecidos. Mas quando o passamos a alguém, enriquecemos o triplo."

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Tahar Ben Jelloun | O Escrivão Público
8.22.2011 # 0 origamis
"P.S.: «Todas as verdades estão contra nós»; a esperança também. Então nada há a retirar daí. Podes fazer o favor de colocar em evidência estas palavras: «Molha a pena na tinta da minha alma e escreve!»"

"Eu estava ausente e não sabia. Afastava-me de mim mesmo sem dar conta. Partia em bicos de pés e instalava-me numa terra longínqua, numa açoteia de infância. Sofria já de amnésia de mim mesmo. Quanto mais a situação evoluía, mais eu perdia segurança e descobria as minhas fraquezas. Envolto num tecido fino e delicado, rodeara de grades o meu pequeno território. Andava por todo o lado com esse equipamento, insinuando entre mim e os outros uma distância. Instalado numa gaiola de vidro, deitado no interior de uma garrafa, sentado numa cadeira de rodas, punha em evidência a fragilidade que a doença me depositara nos ossos como uma marca trémula. Não podia ser alcançado. As mãos que se estendiam para mim tinham de atravessar vidros. Por vezes feriam-se. Apenas o vento forte me abalava, derrubava a gaiola e partia os vidros que eu não voltava a colocar. Deixava assim que corpos se aproximassem; era incapaz de os avisar. Eles é que deviam adivinhar o obstáculo. Vinham e, mesmo feridos, ficavam ao pé de mim."

"Há quem escreva com medo de enlouquecer, outros porque não sabem fazer mais nada, porque não podem deixar de o fazer, alguns por dever de ilusão ou de vaidade, outros, finalmente, para troçarem da morte e fazerem filhos nas costas do tempo. Tu escreves para deixar de aparecer."

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Albert Camus | O Estrangeiro
8.21.2011 # 0 origamis
"Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: «Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames». Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem."

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Natalie Merchant
8.20.2011 # 0 origamis

Natalie Merchant - Live in Concert
Elektra, 1999

Faixa: Space Oddity

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Knut Hamsun | Fome
8.19.2011 # 2 origamis
"O meu pensamento tornou-se mais claro e compreendi que estava prestes a morrer. Pus as mãos à frente e apoiei-me contra a parede, a rua continuava a dançar à minha volta. Comecei a soluçar de raiva e lutei contra a minha desgraça com o mais íntimo da minha alma, mantive corajosamente esta posição, para não cair de todo; recusava deixar-me sucumbir, queria morrer de pé. Passou uma carroça rolando lentamente, e vi que levava batatas, mas na minha raiva e obstinação, lembrei-me de dizer que não eram batatas, mas sim cabeças de couve, e jurei furiosamente a pés juntos que eram couves. Ouvi nitidamente o que dizia, mas persisti na mentira e continuei a jurar repetidamente, só para ter a desesperada satisfação de cometer perjúrio. Deixei-me embriagar por este pecado requintado, estiquei os dedos no ar e jurei, com lábios balbuciantes, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em como eram cabeças de couve."

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Slavoj Žižek | As Metástases do Gozo
8.18.2011 # 0 origamis
"Os tipos contemporâneos são aqueles em que o eu se encontra ausente; por conseguinte, não agem insconscientemente no sentido próprio do termo; limitam-se a reflectir traços objectivos. Em conjunto, participam neste ritual insensato, adoptando o ritmo compulsivo da repetição, e crescem afectivamente pouco: a demolição do eu reforça o narcisismo e as suas derivações colectivas."
"Um protesto perplexo de inocência é sempre acompanhado por um sentimento kafkiano indeterminado de culpa «abstracta», sentimento segundo o qual, aos olhos do Poder, sou a priori terrivelmente culpado de qualquer coisa, embora não me seja possível saber de que sou ao certo culpado, e por isso - por não saber do que sou culpado - sou mais culpado ainda; ou, mais exactamente, é na própria ignorância aqui em causa que consiste a minha verdadeira culpa."

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Antonin Artaud | Eu, Antonin Artaud
8.17.2011 # 0 origamis
"O senhor hábito, o senhor mania, o senhor nojo, o senhor cólica, o senhor cãibra, o senhor náusea, o senhor vertigem, o senhor açoite, o senhor cascudos, estão de igual para igual com o senhor insurrecto, o senhor resposta, o senhor lágrimas, o senhor escândalo, o senhor sufocado numa alma escandalizada - para compor um eu de criança, uma consciência menina, a consciência de um menino.
Os ingredientes são sempre os mesmos, mas a alma é que não é a mesma e se daz através das pancadas, dos cascudos, das reprimendas, das repreensões contínuas, a propósito de tudo e de nada.
A alma faz-se ou não se faz por ser perpetuamente desviada, anulada, arrancada ao seu leito de morta e com vontade de se ressuscitar."

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Slavoj Žižek | A Marioneta e o Anão
8.16.2011 # 0 origamis
"Não admira que exista uma homologia entre os ovos Kinder, o «vazio» de hoje, e a abundância de mercadorias que nos propõem como produto privado da sua substância: café sem cafeína, sacarina sem açúcar, cerveja sem álcool, etc. - em ambos os casos, encontramos uma superfície privada do seu núcleo. O sujeito, enquanto sujeito dos direitos do homem universais, não funcionará como uma espécie de ovo Kinder? Nas pastelarias francesas ainda se vendem «cabeças de negro» (têtes de nègre), bolos cujo nome tem relentos de racismo: são merengues redondos recheados de creme e cobertos de chocolate, vazios por dentro («como estúpidas cabeças de negro»). O ovo Kinder preenche esse vazio. A lição a tirar disto é que todos nós temos «cabeças de negro», com um buraco no meio. A resposta dos defensores do humanismo universalista à «cabeça de negro», a maneira como rejeitam a ideia de que todos temos «cabeças de negro», não se assemelhará a um ovo Kinder? Para os ideólogos humanistas, bem podemos ser todos infinitamente diferentes uns duns outros - brancos, negros, altos, baixos, homens, mulheres, ricos, pobres, etc. - mas no fundo de cada um de nós há o equivalente moral do brinquedo de plástico, o mesmo não sei bem o quê, um X inapreensível, que é, de certo modo, o fundamento da dignidade comum a todos os homens."

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Six Feet Under
8.15.2011 # 5 origamis
I


II


III

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